Automutilação, Como Se Curar? - Como tomar Atitudes Que te Dão Poder
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Automutilação, Como Se Curar?

Automutilação. Como se Curar?

Certa vez recebi a carta de uma adolescente de 15 anos, o nome dela era Adriana (nome fictício para preservar a identidade da leitora), ela se mutilava cortando os pulsos, ela disse que o ato de se cortar lhe dava um alívio, era como se a dor do corte tirasse a atenção do que realmente doía.

Com o tempo, o fato de esconder os cortes das outras pessoas e de se trancar para se mutilar representou para ela uma grande aventura. E quando alguém descobria os cortes demonstrava preocupação para com ela e esta atenção lhe alegrava. Logo os cortes passaram a ser interessante para ela.

Mas depois de um tempo uma angustia começou a tomar conta dela, depois dos cortes ela sentia uma sensação de culpa e vergonha. Mas aquela sensação de “aventura” ainda lhe consolava, dando folego para que no futuro mais uma sessão de mutilação acontecesse.

Mas ela começou a ficar fraca, ela estava perdendo sangue, ela sentia uma sensação de sono constante, mas assim mesmo ela não conseguia dormir direito, conforme ela, era um “sono alerta”, parecia que a todo tempo ela estava acordada.

Ela não aguentava mais aquela situação. Ela estava cansada, angustiada, uma sensação de culpa esmagava a sua mente, ela se achava a pior pessoa do mundo. Foi então que ela decidiu que estava na hora de colocar fim na sua vida.

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Em busca de Ajuda

Na internet ela achou muitos post que justificavam suas ações, mas ela queria algo que de alguma forma, a confrontasse, que lhe desse uma saída, foi quando ela achou o meu site e leu o artigo: Suicídio, Leia uma História surpreendente…

Ela admitiu que estava caminhando de passos largos para o suicídio, mas ela não sabia como mudar de caminho. Então ela me escreveu e contou toda esta história.

Eu perguntei a ela o motivo, como foi para ela começar a fazer isso, ela disse que leu algo sobre isso na internet e começou a fazer. Eu insistir: disse que havia algo mais forte para que toda esta história começasse, perguntei se ela havia tido um caso amoroso que havia acabado a pouco tempo, perguntei se na escola ela sofria algum tipo de bullying, perguntei sobre a sua família e sobre os seus pais.

Foi quando ela me disse, que seus pais viviam brigando e que eles estavam se separando. Mas eles ainda não tinham conversado nada com ela e com a irmãzinha dela. Mas ela acreditava que a qualquer momento um deles sairiam de casa.

Perguntei sobre a “irmãzinha dela”, quantos anos ela tinha, como era a convivência com ela, pelo que ela me disse, que ainda não tinha feito nenhuma besteira, porque ela amava muito a irmã dela e que se ela morresse não teria ninguém para tomar conta de sua irmã. Ela disse que a sua mãe e o seu pai trabalhavam fora e havia apenas uma empregada que ficava até as duas tarde em sua casa e depois ia embora. Daí pra frente era ela que ficava com a sua irmãzinha de seis anos.

Eu percebi que ela não sabia o real motivo de tudo aquilo haver começado na sua vida, mas eu presumir que se tratava da crise conjugal de seus pais. Ela falou da dor em ouvir as discursões, em ver o ódio no rosto de seus pais e ao mesmo tempo a tristeza, mas do que isso, o desprezo para com as filhas.

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Em Meio a Tempestade Ela Ainda Amava Alguém.

Mas uma coisa eu descobrir que foi a chave da cura para aquela moça, o afeto para com a sua irmãzinha. Ela realmente amava a sua irmã, naquele momento de crise familiar sua irmã era um referencial de apoio e companhia.

Foi então que eu a levei a uma reflexão através de umas perguntas, escrevi e insistir que ela respondesse uma a uma com pelo menos cinco linhas cada. Mas na verdade é muito ruim aconselhar por escrito, eu prefiro conversar ao vivo através do Skype ou Hangout, mas devido ela ser adolescente e achei melhor lhe ajudar por escrito, sem esperar muito dela.

Mas para minha surpresa ela escreveu e como escreveu. Perguntei: 1 – Você Ama sua irmã? Sim ou não? Como você pode demonstrar este amor para com ela?; 2- Você seria Capaz de abandonar sua irmã e ir embora para outra cidade? Sim ou não? O Que você faria para ficar sempre ao seu lado? 3. Você Seria Capaz de fazer mal a sua irmã? O que você seria capaz de fazer para protege-la?

Ela fez um jornal, falou da sua preocupação com a tristeza que vez por outra a sua irmã demonstrava face a briga de seus pais, falou que amava a sua irmã, que faria tudo para lhe proteger, que devido à crise que havia em sua casa elas eram muito unidas. E por aí vai.

Fiquei muito feliz, que em meio a toda aquela turbulência aquelas duas irmãs passaram a apoiar uma a outra.

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Uma Carta Chocante

Foi então que escrevi a ela:

Querida Adriana, o seu amor para com a sua irmã é algo lindo de se ver, creio realmente que neste mundo não existe alguém que se preocupe mais com a sua irmã do que você. Esta é a mais pura verdade.

Agora escute, sei que um dos motivos para você querer parar de se mutilar é a sua irmã, pois se você se for quem irá tomar conta dela? Não é verdade. Portanto você quer parar com isso agora.

Escute só, você disse que não seria capaz de fazer nenhum mal a sua irmã, que você a ama e a quer bem, mas quero te dizer com pesar, que você estar fazendo mal sim a sua irmã.

Não fique espantada, apenas pense comigo:

– Se você continuar se mutilando, em dado momento você poderá fazer um corte onde o sangue não irá estancar, você irá morrer e deixará a sua irmã sozinha e abandonada.

Pense na sua irmã, vendo sangue sair do seu pulso, pense na dor do seu olhar, ela perceber que você está indo embora, ela chora lágrimas da alma, porque ela esperava que você ficasse com ela, mas você resolveu ir embora para nunca mais voltar.

Ela procura entender porque você está fazendo isso, você não sabe dizer o porquê, ela começa a se culpar e desesperada ela implora para você: “minha irmã, não var”.

Quanta dor há em seu olhar, tudo isso por você se mutilar. Agora imagine você mesmo pegar esta “gilete” e cortar o braço de sua irmã. Você teria coragem? Você teria coragem em encarar os seus olhinhos, depois de um corte e de uma torrente de sangue esvaindo da pessoa que você mais ama.

Pelo que você respondeu no último e-mail, você não teria coragem de fazer isso com a sua irmã, mas é exatamente isso que você faz toda vez que você se mutila. Você fere a sua irmã, pois como você disse, no momento ela só tem você e te perder agora, iria doer mais do que um mero corte no pulso, seria uma punhalada certeira no peito, onde a dor você não consegui nem mesmo imaginar.

Portanto minha irmã, há muita dor quando você se fere, há muita dor envolvida quando você sangra, você está machucando pessoas que você ama, quando a vida aos poucos está se esvaindo de seus dedos, você está tirando alegria de pessoas que você quer fazer sorrir, como a sua irmãzinha. Esta dor é muito maior, do que um mero corte no pulso. Esta dor é muito maior do que o prazer da “aventura e da atenção” de sua multilação.

Por isso, chegou a hora de parar, em nada suas mutilações estão te ajudando, apenas está provocando dor em ti e nas pessoas que você ama.

Leia este e-mail agora, três vezes e pense em todo mal que você está fazendo para sua irmãzinha e para você. Entranhe isso em sua mente, sei que você nunca mais vai querer fazer isso.

Não sei se você é religiosa, mas eu sou, portanto eu gostaria que você orasse comigo, fale estas palavras em voz alta, Deus vai te ajudar neste momento de transformação que começa agora em sua vida:

“Deus, andei brincando com a minha vida, não por que eu quis, mas a verdade é que esta brincadeira alivia a dor da minha alma, mas hoje percebi que esta “brincadeira” estar destruindo comigo e consequentemente estar machucando muitas pessoas que eu amo. Como minha irmãzinha. Agora, peço perdão por esta maldade que tenho feito a mim e a muitas outras pessoas como ao meus pais, que nem ligam para a gente, mas que vão se sentir muito culpados se algo acontecer comigo. Eu prometo para ti e para minha irmã, que isso termina agora, me ajuda a cumprir esta promessa. Eu prometo que não irei mais me mutilar, que não derramarei mais o meu sangue. E que no meu pulso eu irei colocar uma pulseira escrita: ‘eu amo a minha família’. Eu te peço isso em nome de Jesus. AMÉM…

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Em Fim a Resposta

Depois deste e-mail a Adriana demorou alguns dias para me responder, mas ela me escreveu. Ela disse que chorou compulsivamente só em pensar em machucar a sua irmã, ela me confessou que ficou com raiva de mim, só por fazer ela pensar sobre esta possibilidade. Ela achou que eu havia apelado demais.

Ela leu duas vezes o meu e-mail, na segunda vez a raiva aumentou ainda mais, ela disse: “Como você pode imaginar que eu seria capaz de fazer tão grande maldade com a minha família?” Ela voltou a chorar de forma mais intensa.

Então ela leu a terceira vez o e-mail, foi então que ela percebeu, que cada lágrima derramada, lhe dizia que ela não mais poderia cortar o seu pulso nunca mais, que a raiva que ela sentia de mim, na verdade era uma raiva de cada momento que ela se trancou, para tirar sua vida, como ela pode ser tão egoísta, em querer aplacar a sua dor e não ligar para o fato de que a mutilação em seu corpo, poderia provocar uma dor muito maior em sua irmã.

Então ela teve coragem de fazer a oração que eu havia escrito no final do e-mail, ela fez esta oração com lágrimas e ela sentiu Deus dizer a ela, minha filha nunca mais vai fazer isso com você.

E ela terminou dizendo, que realmente, nunca mais ela se mutilou, as cicatrizes estão desaparecendo e no lugar ela usa uma pulseira, que não tem os dizeres da oração, mas que representa esta verdade. “Eu amo meus pais e minha irmãzinha”.

Na paz,

 

Joazi

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Comments

  • Anônimo
    setembro 23, 2016

    Essa história… Me tocou profundamente, de certa forma me identifico com ela!

    • setembro 26, 2016

      Oh querido, crie um forte motivo para se livrar de hábito perigoso. E não se esqueça de se inscrever no site

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